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Enquanto Belo Horizonte afirma importância da quarentena, Betim e Ribeirão das Neves reabrem comércio

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Reabertura do comércio também é vista em cidades de outros estados, como Cuiabá (foto), capital do Mato Grosso – Christiano Antonucci / Secom-MT

Alguns dos prefeitos de cidades mineiras começam a ensaiar uma reabertura do comércio local. Uma reunião na tarde desta segunda (27) aconteceu nas dependências da Prefeitura de Belo Horizonte, em que os líderes do Executivo de Belo Horizonte, Contagem, Betim e Nova Lima conversaram sobre a criação de um grupo “pós-pandemia”, ou seja, para pensar a reabertura do comércio em um cenário de desaceleração da contaminação pelo novo coronavírus.

Betim parece ter se antecipado ao relaxamento da quarentena. A prefeitura lançou um decreto permitindo a reabertura do comércio desde 20 de abril, quando bares e restaurantes puderam voltar a funcionar. Em troca, os estabelecimentos devem seguir uma série de regras específicas, como manter a distância de 1,5 metro entre uma pessoa e outra. Academias têm de garantir que clientes fiquem no máximo uma hora; em restaurantes, o tempo é de meia hora.

O prefeito de Betim, Vittorio Medioli (PHS), presente à reunião desta semana, informou que o decreto 42.082 terá “correções”, pois estabelecimentos estariam descumprindo regras. Outra norma adotada é que, nas ruas, a Prefeitura passou a exigir o uso da máscara a toda a população, com multa de R$ 80 em caso de reincidência.

Os primeiros serão os primeiros?

Já a prefeitura de BH está sendo criticada por uma “rigidez”. Desde os primeiros casos de covid-19, a cidade adotou medidas restritivas ao comércio e ao transporte público. Segundo o prefeito Alexandre Kalil (PSD), BH foi umas das primeiras capitais do país a copiar a fórmula de isolamento das cidades que tiveram mais sucesso em conter a disseminação do coronavírus. Agora, pelo pouco número de casos registrados, está sendo pela reabertura.

“Me horroriza que BH, apesar de ser a terceira capital do Brasil, é a única que estão querendo forçar a abrir o comércio de forma precipitada. Parece que o sucesso entre aspas da antecipação da pandemia obriga Belo Horizonte a ser a primeira a ser pressionada a abrir o comércio antes da hora”, criticou Kalil.

Apesar disso, a prefeitura irá criar um grupo técnico pós-pandemia, coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde e com a presença de empresários, para pensar formas de saída gradual da quarentena. A prefeitura destacou que não há data para um relaxamento do isolamento e que as regras podem se tornar rígidas se a contaminação aumentar.

Máscaras obrigatórias e comércios abertos

A prefeitura de Ribeirão das Neves, também na região metropolitana, já abriu todo o seu comércio, com a implantação do que a prefeitura chama de “biossegurança”. O decreto 047, do prefeito Junynho Martins (PSC), também permitiu a reabertura de igrejas, porém, a população ficou obrigada ao uso de máscara, higienização de estabelecimentos e distanciamento social em locais públicos e privados.

Já na cidade de Juatuba o isolamento se intensificou. Desde 20 de abril, a população só pode sair às ruas usando máscaras. Atendimentos presenciais, eventos, aulas e atividades que pressupõem aglomeração já haviam sido canceladas desde 7 de abril.

A prefeitura de Contagem seguiu a mesma receita e, em 22 de abril, decretou o uso de máscara obrigatório. Segundo o decreto 1.583, os estabelecimentos autorizados a funcionar e o transporte público deverão disponibilizar no mínimo um funcionário para impedir a entrada de pessoas que não estiverem usando a máscara de forma correta. O estabelecimento é o responsável por fornecer máscaras descartáveis aos clientes.

Desde 16 de abril, Nova Lima também decretou a obrigatoriedade do uso de máscara, por meio do decreto 10.008. Para o prefeito, Vitor Penido (DEM), o isolamento social ainda não é passível de ser rompido. “Amanhã nós podemos ser responsabilizados por isso, vida humana não tem preço. Eu quero fazer um apelo aos empresários que entendam a situação”. A prefeitura está fazendo campanhas contínuas nas redes sociais pela quarentena e divulgou que mais de 70 bairros já têm casos em investigação ou confirmados no município.

Números de Minas

O Informe Epidemiológico desta segunda (27), da Secretaria Estadual de Saúde, mostra que em Minas Gerais contabilizam-se 1.586 casos confirmados, 62 mortes e mais de 78 mil casos suspeitos de contaminação pelo vírus. Belo Horizonte tem o maior número: são 548 casos confirmados e 11 óbitos. Contagem teve 46 casos e 2 óbitos, Nova Lima tem 53 casos e nenhuma morte, Ribeirão das Neves 6 casos sem morte, Betim teve 12 casos sem óbito e Juatuba não teve nenhum caso.

Edição: Joana Tavares

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