Vivian Leite


Quando Mahatma Gandhi disse a frase: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”, ele estava falando sobre o desejo de querer fazer algo maior pelo mundo, mas se sentir pequeno e impotente. “O que eu sozinho poderei fazer para mudar o mundo?” E é sobre esta lição a história a seguir, confira:

Imagine, uma menina de nove anos teve uma ideia que transformou a vida de centenas de pessoas. Essa é a história de Júlia Macedo, que atualmente tem 15 anos, e é a idealizadora do projeto Lacre do Bem. O objetivo do projeto é doar cadeiras de rodas novas para pessoas em vulnerabilidade social ou para instituições que atendem a esse público. Para isso, lacres de latas de alumínio são arrecadados em diversos pontos de coleta e depois são vendidos para empresas de reciclagem. A ideia de Júlia surgiu em uma viagem a São Paulo, quando ela viu que era possível trocar lacres por cadeiras em uma campanha semelhante. Ela decidiu fazer o mesmo no colégio em que estuda, em Belo Horizonte. “O prazer é ver o sorriso das pessoas, isso é o que eu adoro”, conta alegre.

Júlia Macedo, 15 anos .

Existiu uma lenda em que os lacres se tornavam cadeiras de rodas, já que muita gente achava que derretiam o alumínio para fabricar as cadeiras, mas isso é falso. Na realidade, para adquirir  uma cadeira de rodas é preciso 140 garrafas pet cheias de lacres, o que são aproximadamente 353 mil lacres. E para juntar toda essa quantia, é preciso da colaboração de todos. Depois que separam os lacres manualmente de outros materiais, armazenam, e quando alcançam um número acima de uma tonelada enviam em um caminhão para São Paulo, onde é feita a reciclagem e consequentemente a troca por dinheiro.


No início, após 2 meses juntando lacres, os pais de Júlia ficaram desesperançosos ao ver só metade da garrafa preenchida: “Eles me mostraram a garrafa desapontados com a quantidade, então eu disse ‘nossa, que tanto!’, e nisso eles perceberam que a garrafa não estava meio vazia, ela estava meio cheia. A partir daí, eles tomaram isso como uma lição mesmo.” Os pais são os principais apoiadores de Júlia, e gestores da campanha. “A primeira cadeira veio depois de 4 meses juntando lacre, e aí a gente pensou que ela iria parar. Eu perguntei se ela queria continuar com a campanha, e ela me respondeu que sim, que iria em frente até quando existisse pedidos de cadeira” conta a mãe, Ivete Macedo. E como os pedidos não pararam de chegar, a campanha continuou. O pai de Júlia enfatiza que se  as outras pessoas não colaborassem e apoiassem a ideia, a campanha não teria ido para frente: “A maior lição que nós tivemos como família, foi no momento em que descobrimos que para fazer as coisas acontecerem nós precisamos das pessoas, nós precisamos um do outro”, relata Nelson Flaviano. Os pais de Júlia sempre foram exemplo de solidariedade para ela. “Desde pequena meus pais me ensinaram que ajudar o próximo é o melhor caminho, porque precisamos nos colocar no lugar do outro. E além disso, fazer o bem, faz bem”, afirma a garota. 

A vontade de compartilhar essa história fez com que Júlia escrevesse até um livro infanto-juvenil, intitulado: “Julia do Lacre do Bem”. O livro nasceu de um financiamento coletivo e leva o selo “Pedagogicamente Responsável”, concedido pela Associação Educore .

Realizações e metas

Atualmente, o projeto “Lacre do Bem” se tornou uma Associação Sem Fins Lucrativos e conta com pessoas, empresas e organizações parceiras em várias partes do Brasil que ajudam a recolher as doações de lacres de latinha e a entregar as cadeiras de rodas. Já são mais de 450 cadeiras de rodas entregues. Apesar disso, existem desafios e metas a serem alcançadas, como uma sede com um espaço maior para armazenar todos os lacres e estocar as cadeiras de roda. Nesse local também seria implementado serviços de assistencialismo social, como atendimento jurídico, fisioterapeutas,psicólogos, oficinas de reciclagem, recrutamento de PCD’s (Pessoas com  deficiência) para inclusão no mercado de trabalho e palestras.

Participe!

Os endereços com os pontos de coleta estão no site www.lacredobem.com.br, assim como todas as informações do projeto. Lá você pode entrar em contato e ajudar, seja como parceiro, doador ou se tornando um ponto de coleta. 
Para pedir uma cadeira, basta entrar no site e ir na opção “Peça sua cadeira”, lá terão dois formulários, um para pessoas e outro para instituições de caridade, e então é só preencher o cadastro para ser avaliado e ficar na lista de espera.

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